Um lugar diferente. Outra pessoa. Outra vida. Mas sou eu lá ainda. Está tão difícil de me reconhecer. Essa névoa em frente aos meus olhos atrapalha minha vista empobrecida. O que eu desejo? Pareço procurar por alguém, alguém que eu sei que não vou encontrar. A agonia em mim cresce cada vez mais, meus olhos se enchem de lágrimas pela incontável vez naquele dia. Já não sei mais para onde correr.
Ah sim, estou correndo e estou apavorada. As pessoas que passam à minha frente são tantas, são impossíveis. E o rosto que eu desejo jamais aparece ou irá aparecer, eu sei disso. As coisas começaram a ficar confusas para mim. Olho para um relógio no alto. Tempo é apenas o que me falta. A chuva começa a se juntar às minha lágrimas, e agora sim é quase impossível enxergar algo. Mas ouço meu nome. Vem da direita. Olho para o lado. Ainda vem da direita. Logo me dou conta de que aquele nome não é o que eu conheço ou pelo qual as pessoas me chamam, mas sei que é meu e continuo a procurar. Oprimo um grito de desespero, não acho!
Alguém coloca a mão em minhas costas e me puxa para si. Parece-me um homem pela forma robusta que se projeta através de sua roupa completamente preta. Afundo meu rosto em seu sobretudo e o barulho da cidade se ressalta na medida em que minhas lágrimas encharcam o homem. Ele se afasta e seu olhar de reprovação me assusta. Dou alguns passos para trás com o pavor estampado em meu rosto.
O mundo atrás de mim começa a sucumbir, logo não vejo mais nada. Estou cega pela branquidão. Mas consigo me ver, como estou limpa agora! Antes que pudesse pensar em fazê-lo levantei a cabeça e olhei em volta.
Aquilo era realmente diferente.
Eu poderia me acostumar com aquilo, disse ao homem de capa preta, que mais tarde fui perceber que não tinha capa nenhuma. Nem um rosto. Assim como eu. Finalmente me senti em casa. Retirei minha máscara e me dei conta de que poderia ser eu mesma e ninguém notaria.
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