Ela era tímida, sempre fora. Algo, no entanto, que nunca a impediu de criar espectativas, inclusive de que essa tola timidez um dia a deixasse em paz.
Todos os dias alguém lhe trazia uma frase que sua louca e insistente imaginação tornava a transformar em conforto, apresentando-lhe uma ridícula paz para todos - ou pelo grande parte - de seus problemas. Ela já havia chorado tantas outras vezes, as lágrimas honrando as decepções que não tardavam a voltar quando tudo parecia que iria dar certo.
Era cansativo assistir à mesma cena todos os dias, a velha menina que aprendera a se enganar e crer em qualquer brincadeira de mal gosto que o destino lhe lançava, deixando-lhe à merce do seu sofrimento. Irritava ver o quanto a vida se divertia com o seu pranto e a necessidade interminável de repetir aquilo sempre que possível.
Pior ainda era esperar uma atitude madura da menina, que oras, não passava de uma velha menina.